Faz anos, quando sabia escrever ainda menos do que sei agora, quis contar a história de personagens da minha infância, aqueles exóticos, estereotipicamente intitulados "o velho", "a louca". Gostando tanto de contos e de crônicas, tentei fazer algo entre esses gêneros, e sobre a louca inventei um termo, procurando impressionar. Mal sabia que seu fim seria pior que aquele que imaginei: ontem soube que a polícia a conduziu a um hospital psiquiátrico, como chamam hoje os manicômios, onde foi recolhida.
Esta senhora (Maria, a louca, a bruxa) costumava passar boa parte do seu dia caminhando de um lado para o outro, rente ao muro de sua casa, donde foi observada e perseguida pelas crianças até se cansarem da rotina. Ela morou com um irmão, único parente a cuidá-la, mas ele faleceu há algum tempo. Sozinha, foi alimentada pelo mercado (onde havia comida paga por um período) e depois por uma vizinha. No último mês, a ação de uma quadrilha de ladrões que andava invadindo casas em meu bairro e que se instalou na casa de dona Maria levou à sua internação. O fato divide opiniões: no hospital ela estará protegida, mas perderá sua identidade. O que seria menos humano?
Os loucos da nossa infância são descabelados porque não há quem os penteie. Os cabelos, e barba, dessa senhora crescerão tanto que, ao invés de Maria, a bruxa, não será reconhecida por qualquer nome que a defina. Num muro vazio para sempre, nenhuma louca para contar histórias de interior, e um pouco da minha infância está morto por esses dias.
Belo Horizonte, 14 de janeiro de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Aquelas meninas
Duas crianças moças. Qual olhos de ressaca, os olhos delas são absolutamente inebriantes. Uma delas, nome de pedra, tem a expressão rígida e a atenção concentrada praticamente. Cuida de outras crianças. Não parece se esconder, mas olha a mil metros.
A outra, louca, mantém um sorriso de Monalisa, o olhar fixo, as unhas pintadas de azul, arrojada. Finge inocência. Certamente tem um segredo, que é de ir além, de já ter chegado muito mais longe do que posso imaginar, e de saber que sei disso, mas não consigo alcançar seu pensamento. Decidida, ela se regozija por sua vantagem e ri de minha impotência. Vai embora, pois sua maior propriedade é a de não se importar.
Lenise Moraes
Dom Joaquim, 14 de agosto de 2011
A outra, louca, mantém um sorriso de Monalisa, o olhar fixo, as unhas pintadas de azul, arrojada. Finge inocência. Certamente tem um segredo, que é de ir além, de já ter chegado muito mais longe do que posso imaginar, e de saber que sei disso, mas não consigo alcançar seu pensamento. Decidida, ela se regozija por sua vantagem e ri de minha impotência. Vai embora, pois sua maior propriedade é a de não se importar.
Lenise Moraes
Dom Joaquim, 14 de agosto de 2011
sábado, 20 de agosto de 2011
Uma ausência muito azul
De fato é muito possível que nos acostumemos com tudo, com presenças e com ausências. Umas vezes mais difíceis que outras, mas nos acostumamos. Nos acostumamos com a cadeira vazia, com a cama sobrando, com o silêncio inesperado, do mesmo jeito que nossos ouvidos antes se acostumaram a ouvir muitos chamados. Se foram necessários alguns anos, agora precisaremos de outros mais, mas nos acostumamos. Daqui não é possível lembrar-se da voz grossa com uma musicalidade singular, dos olhos azuis infinitos, dos poucos cabelos lisos e brancos, dos mil beijos e abraços apertadíssimos de sentimento puro, “manteiga derretida”. A essa distância, tão grande, não posso me lembrar de caretinhas, de risos fartos em brincadeiras, de histórias contadas com riqueza de detalhes, e de “bravezas”. Quando lá voltar será possível não vê-lo, ver a sanfona mas não ouvi-la, nunca mais. Será possível não fazer comidas preferidas, não sentar para conversar, não alcançar pentes, remédios, óculos ou cordéis. De cá, tanta solidão, não sinto dor por não ter quem abraçar e choro simplesmente por reação alérgica ou por emoção ao assistir um filme (“manteiga derretida” sou eu, percebo). Me acostumo. Lá também me acostumarei. Depois de tantas, faz muito tempo que acreditava estar imune a ausências definitivas.
Lenise Moraes
Guanhães, 12 de agosto de 2011
Lenise Moraes
Guanhães, 12 de agosto de 2011
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Em alguns dias parece mais espessa a camada de vidro do espelho por detrás onde me encontro. E depois de tanto me esforçar para aumentar a intensidade da voz pensando ser essa a solução, me calo.
Sempre gostei do silêncio, e sempre admirei as pessoas que sabem usá-lo na hora certa. Acredito no verdadeiro bobo, o bom, que sabe se calar por fora para pensar, e que sabe que pensar é fazer alguma coisa, mesmo que fique assim por até duas horas.
Não tenho gostado, no entanto, do que vejo ultimamente: o silêncio por falta de opção. Dessa forma, calar-se perde toda a beleza, e vira solidão. Quando o que digo parou de fazer sentido para as pessoas e não notei? Tenho a impressão de que elas mudaram, sim, de estado, pois o entendimento já me pareceu possível. Ou aqueles com quem convivo evoluíram tanto e não consegui alcançar ou fui eu a crescer. E essa dúvida é absolutamente sincera. Meus gracejos o são só para mim, minha atitude aos outros parece mais rude que pretendi. As histórias só a mim interessam: por falta de enfeite ou por dizerem respeito ao que existe somente em minha casa?
Tenho aprendido a silenciar, da pior maneira, contudo. De um silêncio que sufoca, e que não pode me tranqüilizar, uma vez que sua razão de ser não é a falta de necessidade de falar.
Lenise Moraes
Guanhães, 11 de agosto de 2011
Sempre gostei do silêncio, e sempre admirei as pessoas que sabem usá-lo na hora certa. Acredito no verdadeiro bobo, o bom, que sabe se calar por fora para pensar, e que sabe que pensar é fazer alguma coisa, mesmo que fique assim por até duas horas.
Não tenho gostado, no entanto, do que vejo ultimamente: o silêncio por falta de opção. Dessa forma, calar-se perde toda a beleza, e vira solidão. Quando o que digo parou de fazer sentido para as pessoas e não notei? Tenho a impressão de que elas mudaram, sim, de estado, pois o entendimento já me pareceu possível. Ou aqueles com quem convivo evoluíram tanto e não consegui alcançar ou fui eu a crescer. E essa dúvida é absolutamente sincera. Meus gracejos o são só para mim, minha atitude aos outros parece mais rude que pretendi. As histórias só a mim interessam: por falta de enfeite ou por dizerem respeito ao que existe somente em minha casa?
Tenho aprendido a silenciar, da pior maneira, contudo. De um silêncio que sufoca, e que não pode me tranqüilizar, uma vez que sua razão de ser não é a falta de necessidade de falar.
Lenise Moraes
Guanhães, 11 de agosto de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Para somente gostar
Há duas maneiras de argumentar. A primeira aprendemos pelos estudos indiretos, isto é, mediados por outra pessoa, ou outras. Nesse modo, construído desde a mais tenra idade, devemos construir textos explicativos, baseados em prévios conhecimentos de lógica e retórica. Nele, nossas palavras são cheias de adorno que, embora executado muito naturalmente, torna nossos discursos repletos de conteúdo, de jeito a convencer nossos interlocutores de nossas razões. Essa maneira, ao que parece, é que legitima nossa capacidade e direito de emitir opiniões acerca dos assuntos.
No outro modo, desenvolvido por nossa própria conta, quer dizer, a partir do que observamos e estudamos do mundo sem mediação, não nos furtamos à emissão de juízos, mas sem aquela velha razão. Não significa que não haja qualquer razão e lógica nessa maneira de argumentar, que tampouco parece argumento. Há fundamento sim, contudo um fundamento tão interno que é difícil fazer com que os outros participem dele. Sobretudo na sociedade de nossa inserção, tão acostumada a longas explicações. Os grandes discursos, provavelmente, não fazem uso de um número tão amplo de sensações e talvez por isso precisem de mais palavras. Ambas são boas, creio, e necessárias. E se é assim, porque supervalorizar a primeira em detrimento da segunda? Se posso contemplar algo que me agrada talvez não deva falar desse agrado ou pelo menos não precise falar muito para garantir aos outros que conheço aquilo que me agrada e sobre o que discorro, e ainda que sei porque aquilo me agrada.
Se interrogada sobre minha opinião, quero poder não precisar dizer muitas coisas para que entendam qual é a minha posição perante uma peça, um espetáculo, um ato político. Quero simplesmente, meus caros, ter direito ao gostei.
Lenise Moraes
Água Boa, 08 de agosto de 2011
No outro modo, desenvolvido por nossa própria conta, quer dizer, a partir do que observamos e estudamos do mundo sem mediação, não nos furtamos à emissão de juízos, mas sem aquela velha razão. Não significa que não haja qualquer razão e lógica nessa maneira de argumentar, que tampouco parece argumento. Há fundamento sim, contudo um fundamento tão interno que é difícil fazer com que os outros participem dele. Sobretudo na sociedade de nossa inserção, tão acostumada a longas explicações. Os grandes discursos, provavelmente, não fazem uso de um número tão amplo de sensações e talvez por isso precisem de mais palavras. Ambas são boas, creio, e necessárias. E se é assim, porque supervalorizar a primeira em detrimento da segunda? Se posso contemplar algo que me agrada talvez não deva falar desse agrado ou pelo menos não precise falar muito para garantir aos outros que conheço aquilo que me agrada e sobre o que discorro, e ainda que sei porque aquilo me agrada.
Se interrogada sobre minha opinião, quero poder não precisar dizer muitas coisas para que entendam qual é a minha posição perante uma peça, um espetáculo, um ato político. Quero simplesmente, meus caros, ter direito ao gostei.
Lenise Moraes
Água Boa, 08 de agosto de 2011
sábado, 30 de julho de 2011
10 anos sem o colégio
Poupem-me meus caros: a paciência já se retirou faz algum tempo. Sou casada, não tenho filhos. Sou bacharel em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais e também por ela estudo Letras. Me preparando para o Mestrado, onde pretendo dar sequência à pesquisa teórica sobre o palhaço, que amo. Aliás, trabalho com teatro (sou atriz) há quinze anos, com registro profissional. Dedico prioridade a uma Companhia de palhaços. Continuo desenhando, bem menos do que antes, mas não me furto a trabalhos mais delicados: não nos falta ao escritório uma tela com retrato de meu marido. Ainda canto, minha voz é cada vez mais bonita e menos treinada, ou mais sofrida. Compreendo tecnicamente questões de Fonética e Fonologia, de linguagem, de pensamento, de literatura, de texturas, cores, materiais diversos, luzes, tecidos, etc. tenho o tão desejado Porsche: o Fusca. Aprecio vinhos, nacionais e estrangeiros, suaves, mas prefiro os fortes, não gosto dos que levam adoçantes. Aprecio muito a cachaça, especialmente a mineira, mas as outras não me são indiferentes. Nosso bar possui também bons uísques, mas são preferência de meu companheiro. Amamos café e temos uma belíssima cafeteira italiana, para o expresso.
Creio que ainda não houve qualquer desvio, e se o houver, saberei tomar proveito e atalhar o assunto. Faz muito tempo (acho que sempre) que sei onde estou indo, por isso não me descontento. Imagino que não morrerei na idade fatídica, ao menos não de overdose, e, se faltar aqui ou para mim, não faltarei para algumas importantes pessoas. Está tudo certo.
Lenise Moraes
Belo horizonte, 26 de julho de 2011
Creio que ainda não houve qualquer desvio, e se o houver, saberei tomar proveito e atalhar o assunto. Faz muito tempo (acho que sempre) que sei onde estou indo, por isso não me descontento. Imagino que não morrerei na idade fatídica, ao menos não de overdose, e, se faltar aqui ou para mim, não faltarei para algumas importantes pessoas. Está tudo certo.
Lenise Moraes
Belo horizonte, 26 de julho de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Em Obras na Disseminação V
Começou terça-feira a maratona disseminante do EM OBRAS. Na verdade ela já havia começado antes, dias antes, meses, talvez anos, com uma motivação em comum entre bailarinos e cineastas performers: disseminar o questionamento, a ironia, o incômodo. Intervir no cotidiano tão cotidiano que a nós, nos dói.
Saímos na terça para lá, trajando nossos vermelhos (sempre!), portando nossas xícaras (brancas?) e nosso ânimo alterado. Lançávamos uma semente – um mistério – do que faríamos pela semana. Arriscamos movimentos (dança?) por trás de uma sombra branca de tecido, sobre a qual produzíamos sombras negras, ou cinzas, como uma parte do mistério que já começava a se desnudar. Sombras de corpos/copos frágeis e fortes ao mesmo tempo.
Tínhamos uma energia estranha, crescendo a cada passo, cada salto, e preenchendo o tempo e o espaço do atraso. Sim, atraso técnico do evento, que não configurou-se num atraso artístico: iniciamos às 19 horas, e crescemos o quanto pudemos durante os cinco minutos de trabalho, das 19 às 20 horas. Abrimos, mais que cortinas, o mistério da Disseminação V, que iniciava-se naquele instante.
Nos tornamos a ver, sentir, amar, dançar na sexta, pelas Estações, pelos trilhos e trilhas. Tratava-se de um desabrochar na nova primavera do EM OBRAS: um reencontro. Vieram aqueles que já não vinham, e outros, novos. Mas um encontro como tal traz consigo transtornos. Dançamos com um a força que a nós mesmos surpreendeu, tanto porém, que extrapolou em alguns momentos o que acreditávamos ser a proposta Cardume, com outro tipo de fluidez. Ambas fluidas, no entanto. Durou quase três horas o êxtase do rever, redançar. E não notamos imediatamente que propúnhamos muito, que informávamos muito e não nos deixávamos ser informados. Todos ansiosos por falar, vitimados por um longo silêncio anterior que balançou nossos juízos e ouvidos/corpos. Falamos tanto que obrigamos a nos ouvir mesmo os que, além do não querer, não estavam ali para isso, mas para falar de outros modos, inclusive sem falar. Pretendíamos movimentar, e movimentamos, mas fomos confundidos com alguma algazarra. Não, não era algazarra, era intervenção. Outra vez tivemos que pensar.
Nosso susto talvez tenha sido o motivo de um encontro diferente no sábado, quando o grupo, seguindo sua condição de movimento, moveu-se para outro estado, mas com força igualmente intensa. Pela manhã, seis mulheres vermelhas viram quebrar-se o copo nos primeiros minutos, e aquilo que deixou de unir as partes do vidro uniu ainda mais as partes de carne e ânimo. Não precisávamos da palavra dita, e ela se disse, embora quase num sussurro. Soubemos terminar antes e sem aquele “vamos terminar”.
À tarde tínhamos cores diferentes das do dia anterior, e intervir, era muito claro, não significava qualquer algazarra. Mais do que nunca, o EM OBRAS era um corpo só, com o mesmo ânimo, pudemos perceber. Encerrar a semana nesse estado era prenúncio de novos tempos e danças. Talvez finalmente tenhamos entendido as duas propostas com as quais trabalhamos atualmente, e entendido que precisamos entender onde pisamos (o que é Disseminação?), e agora podemos dançar sem susto. Ou com ele, mas de outro assustar-se. Outro ponto de vista. É preciso silenciar ainda para ouvir. Parece que com os pequenos abismos entre ações nos esquecemos, meus caros, do princípio: ouvir. E é preciso esperar. Difícil esperar para ouvir, mas vital, essencial.
Contudo, bailamos com todos os disseminadores e disseminávamos também com os transeuntes no metrô como só esse corpo chamado EM OBRAS é capaz de bailar.
Como diz Joyce: EM OBRAS e AVANTE!
Belo Horizonte, 06 de dezembro de 2010
Saímos na terça para lá, trajando nossos vermelhos (sempre!), portando nossas xícaras (brancas?) e nosso ânimo alterado. Lançávamos uma semente – um mistério – do que faríamos pela semana. Arriscamos movimentos (dança?) por trás de uma sombra branca de tecido, sobre a qual produzíamos sombras negras, ou cinzas, como uma parte do mistério que já começava a se desnudar. Sombras de corpos/copos frágeis e fortes ao mesmo tempo.
Tínhamos uma energia estranha, crescendo a cada passo, cada salto, e preenchendo o tempo e o espaço do atraso. Sim, atraso técnico do evento, que não configurou-se num atraso artístico: iniciamos às 19 horas, e crescemos o quanto pudemos durante os cinco minutos de trabalho, das 19 às 20 horas. Abrimos, mais que cortinas, o mistério da Disseminação V, que iniciava-se naquele instante.
Nos tornamos a ver, sentir, amar, dançar na sexta, pelas Estações, pelos trilhos e trilhas. Tratava-se de um desabrochar na nova primavera do EM OBRAS: um reencontro. Vieram aqueles que já não vinham, e outros, novos. Mas um encontro como tal traz consigo transtornos. Dançamos com um a força que a nós mesmos surpreendeu, tanto porém, que extrapolou em alguns momentos o que acreditávamos ser a proposta Cardume, com outro tipo de fluidez. Ambas fluidas, no entanto. Durou quase três horas o êxtase do rever, redançar. E não notamos imediatamente que propúnhamos muito, que informávamos muito e não nos deixávamos ser informados. Todos ansiosos por falar, vitimados por um longo silêncio anterior que balançou nossos juízos e ouvidos/corpos. Falamos tanto que obrigamos a nos ouvir mesmo os que, além do não querer, não estavam ali para isso, mas para falar de outros modos, inclusive sem falar. Pretendíamos movimentar, e movimentamos, mas fomos confundidos com alguma algazarra. Não, não era algazarra, era intervenção. Outra vez tivemos que pensar.
Nosso susto talvez tenha sido o motivo de um encontro diferente no sábado, quando o grupo, seguindo sua condição de movimento, moveu-se para outro estado, mas com força igualmente intensa. Pela manhã, seis mulheres vermelhas viram quebrar-se o copo nos primeiros minutos, e aquilo que deixou de unir as partes do vidro uniu ainda mais as partes de carne e ânimo. Não precisávamos da palavra dita, e ela se disse, embora quase num sussurro. Soubemos terminar antes e sem aquele “vamos terminar”.
À tarde tínhamos cores diferentes das do dia anterior, e intervir, era muito claro, não significava qualquer algazarra. Mais do que nunca, o EM OBRAS era um corpo só, com o mesmo ânimo, pudemos perceber. Encerrar a semana nesse estado era prenúncio de novos tempos e danças. Talvez finalmente tenhamos entendido as duas propostas com as quais trabalhamos atualmente, e entendido que precisamos entender onde pisamos (o que é Disseminação?), e agora podemos dançar sem susto. Ou com ele, mas de outro assustar-se. Outro ponto de vista. É preciso silenciar ainda para ouvir. Parece que com os pequenos abismos entre ações nos esquecemos, meus caros, do princípio: ouvir. E é preciso esperar. Difícil esperar para ouvir, mas vital, essencial.
Contudo, bailamos com todos os disseminadores e disseminávamos também com os transeuntes no metrô como só esse corpo chamado EM OBRAS é capaz de bailar.
Como diz Joyce: EM OBRAS e AVANTE!
Belo Horizonte, 06 de dezembro de 2010
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