Tento buscar pela memória, e sei que meus primeiros “ensaios” em relação às artes cênicas estão mais próximas do circo, da rua e, especialmente, do palhaço. Mas não encontro exatamente onde isso começou. Sei que há relação com o trabalho de animador de eventos, e de eventos alternativos, principalmente em espaços externos, mas não sei como. Talvez um pouco pela necessidade de desenvolver a pesquisa, mas sem companhia. “Embarquei” no teatro pela via da minha irmã (ou por ela mesma a via), mas não era a rua e nem o palhaço. Naquele momento me parece que não havia traumas, eu acreditava que seguia pelo melhor percurso, e que o objetivo era certo. As dúvidas vieram com o tempo, mas penso que vieram meio tortas. Dúvidas em geral nos fazem repensar a prática, e melhorar em algum sentido. Mas essas, as que me vieram, chegaram a me paralisar. Cri que havia pegado o caminho errado e, durante um tempo, fingi que não era comigo. Mas por onde vejo agora, não me parece também que era um erro. Não me parece que não se estava desenvolvendo um conhecimento, tanto que penso que ele não está perdido: estou podendo retomar sem grandes dificuldades. Pelo menos não tão maiores do que as já previstas (e enormes). Por isso mesmo, não creio que continue me enganando tanto assim, e que meu processo deve ser conduzido de fora. O que vem de fora são informações, tão necessárias. Mas as experienciações devem vir de dentro. Como sempre vieram e vem há séculos, porque essa questão do não interpretar do palhaço não surgiu na década de 1970. Estou construindo um conhecimento à base de troca, que é meu mas também é do outro, que é diferente mas também é igual. O palhaço que conheço é diverso, e assim como estou aprendendo que meu modelo (se é que tenho um) não é o parâmetro de vários, os dos outros também não são o meu, e não preciso aceitá-lo “goela abaixo”. Meu nariz pode ser de muitos vermelhos, e talvez de nenhum, e o material que compõe o meu palhaço pode ser plástico, papel, pano ou o que eu tiver à mão de madrugada.
Belo Horizonte, 15 de setembro de 2014
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Por você ter se deixado aqui
Estou agradecida! No sentido mesmo de estar cheia de graça, pois neste fim de semana fui tocada. Auxiliei a Yepocá Cia de Teatro e a atriz Rosimari Jacomelli a realizar três apresentações do seu espetáculo "O mapa do meu mundo" no Teatro de Bolso do Palladium. O espetáculo é uma história bem amarrada de reminiscências, entre sonho e não sonho. É a historia de uma mulher. Uma história que pode evocar a vivência de uma mulher do sul do Brasil, mas também do norte e do centro, e de todo o mundo. Também a minha vivência, também a sua, e a de qualquer mulher que frequentemente está "cheia de merda". Fui tocada pela esperança, pelas dúvidas e, principalmente, pela eterna procura do nosso tesouro. Minhas lágrimas correram pela delicadeza com que Rosi foi capaz de se lembrar de tantas questões de uma vida inteira, correram pela sensação de nunca mais que chega tão logo não sabemos mais quem somos e a possibilidade da fada madrinha não se efetiva e, enfim, correram pelo abraço carinhoso e agradecido (cheia de graça) de Rosi na despedida. Algumas despedidas são tão mais difíceis! A cada luz acionada era você que me iluminava.
Belo Horizonte, 05 de maio de 2014.
Belo Horizonte, 05 de maio de 2014.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Partindo pra outra
Um turbilhão. Um monte de coisas querendo ser ditas, mas não se submetem à poda. Centenas de informações sobre escrita, leitura, lógica, comportamento, convivência, doença, morte. E nem um texto em anos. Falta ânimo para separar por cores, formas, enquadramentos. Falta coragem! Um bar, uma casa abandonada, um nariz abandonado, um longo texto retomado. E um corpo prestes a nascer de outro, como a abandonar o exoesqueleto velho.
Belo Horizonte, 18 de abril de 2014
Belo Horizonte, 18 de abril de 2014
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