Em alguns dias parece mais espessa a camada de vidro do espelho por detrás onde me encontro. E depois de tanto me esforçar para aumentar a intensidade da voz pensando ser essa a solução, me calo.
Sempre gostei do silêncio, e sempre admirei as pessoas que sabem usá-lo na hora certa. Acredito no verdadeiro bobo, o bom, que sabe se calar por fora para pensar, e que sabe que pensar é fazer alguma coisa, mesmo que fique assim por até duas horas.
Não tenho gostado, no entanto, do que vejo ultimamente: o silêncio por falta de opção. Dessa forma, calar-se perde toda a beleza, e vira solidão. Quando o que digo parou de fazer sentido para as pessoas e não notei? Tenho a impressão de que elas mudaram, sim, de estado, pois o entendimento já me pareceu possível. Ou aqueles com quem convivo evoluíram tanto e não consegui alcançar ou fui eu a crescer. E essa dúvida é absolutamente sincera. Meus gracejos o são só para mim, minha atitude aos outros parece mais rude que pretendi. As histórias só a mim interessam: por falta de enfeite ou por dizerem respeito ao que existe somente em minha casa?
Tenho aprendido a silenciar, da pior maneira, contudo. De um silêncio que sufoca, e que não pode me tranqüilizar, uma vez que sua razão de ser não é a falta de necessidade de falar.
Lenise Moraes
Guanhães, 11 de agosto de 2011
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